Caiu à água. O que fazer nos primeiros dez minutos, e porque é que o arroz não serve.
25 de Agosto de 2026 · 6 min de leituraO que decide se o telemóvel sobrevive não é a água, é o que se faz nos minutos seguintes. E quase toda a gente faz ao contrário.
Um telemóvel que cai à água raramente morre no momento em que cai. Morre nos dias seguintes, por corrosão, e quase sempre por causa de decisões tomadas nos primeiros minutos. A boa notícia é que essas decisões são simples. A má é que a mais popular de todas, o saco de arroz, não faz nada de útil.
Os primeiros dez minutos
Por esta ordem, e sem pressa a mais nem a menos.
- Tire o telemóvel da água e desligue-o. Se estiver desligado, deixe-o desligado. Não verifique se ainda liga, é essa a verificação que queima aparelhos.
- Não o ponha a carregar. Corrente eléctrica mais água é o atalho mais rápido para estragar a placa.
- Retire a capa, o cartão SIM e o cartão de memória, se tiver.
- Seque o exterior com um pano macio, sem esfregar as entradas.
- Ponha-o de pé, com o conector virado para baixo, num sítio seco e à temperatura ambiente.
Porque é que o arroz não serve
O arroz absorve humidade do ar, devagar, à volta do telemóvel. Não tem forma de tirar água de dentro de um aparelho selado, que é exactamente onde a água está. Enquanto o telemóvel passa uma noite no saco, a reacção que interessa continua a acontecer lá dentro sem interrupção.
Pior: o arroz solta pó e amido, e esse pó entra pelo conector de carga e pelas grelhas do altifalante. É frequente encontrar grãos e resíduo dentro do conector de aparelhos que passaram por esse tratamento.
O problema não é a água, é o que ela deixa
A água pura quase não conduz electricidade. O que estraga um telemóvel é o que vem dissolvido nela: sais, cloro de piscina, sabão, açúcar de um refrigerante, sal do mar. Quando a água evapora, esses resíduos ficam depositados sobre os contactos.
A partir daí começa a corrosão, que é lenta, silenciosa e não pára sozinha. É por isso que há telemóveis que caem à água, funcionam bem durante uma semana e depois deixam de carregar, perdem o microfone ou deixam de ligar de vez. A avaria não apareceu nesse dia, apareceu no dia da queda e demorou a manifestar-se.
E os telemóveis à prova de água?
Uma classificação como IP67 ou IP68 é medida em laboratório, com um aparelho novo, em água doce e parada. Não cobre água do mar, água com sabão, água quente nem jactos de pressão.
E as vedações envelhecem. Um aparelho com dois ou três anos, que já sofreu quedas ou que já foi aberto uma vez, deixa de ter a estanquidade que tinha na caixa. Continua a ser resistente, deixou de ser à prova.
Quando vale a pena abrir
Sempre que a água não era limpa, ou que o telemóvel esteve submerso mais do que uns segundos. Abrir cedo permite retirar a bateria do circuito, limpar os resíduos antes de a corrosão avançar e secar o interior a sério.
Se o telemóvel já apresenta sinais como manchas no ecrã, altifalante abafado, carregamento intermitente ou aquecimento sem motivo, o tempo conta. Cada dia que passa torna a limpeza menos eficaz e aproxima o ponto em que a placa deixa de ter recuperação.


